Quarto iluminado pelo monitor do computador.
Cabelos despenteados, modelados pelo travesseiro.
Roupas confortáveis, inadequadas para o ambiente externo.
Conversas de rotina ao som do teclado.
Janelas fechadas.
Porta semi-aberta.
A inspiração parecia estar distante, nenhum flash de criatividade se manifestava.
Estalo de dedos, coluna endireitada.
... reticências ... mais reticências... o espaço em branco pede para ser preenchido.
Observou as paredes ao seu redor. A cama logo atrás de onde estava aparentava ter sido arrumada às pressas. Um objeto fora esquecido no criado-mudo.
Aquele não era o seu quarto, mas era de extrema importância: fuga da realidade que demorava a ser aceita, satisfações fisiológicas de modo covarde, movimentos e sons idolatrados, comunicação com o lado superficial das pessoas.
Um pouco a cima de sua cabeça, no lado direito, uma metáfora da falsa ambição ou até mesmo de resoluções de final de ano... Livros extensos, complexos em seus assuntos, atrativos em seu visual.
... reticências... mais reticências... o espaço em branco foi preenchido...
... ... ... ... ... ... ... ... ...
|
||||
![]() | ||||
|
||||